Remédio que previne o HIV ainda não chegou ao Pará

Fonte: DOL

Domingo, 01 de Abril de 2018 às 11:17

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Clarissa (nome fictício), 28, é moradora de Porto Alegre, cidade que registra o maior índice de detecção de Aids entre todas as capitais, segundo o Ministério da Saúde. Transexual, ela trabalhou como garota de programa entre os 19 e os 22 anos. Deixou a profissão há cinco anos, quando conheceu o companheiro, portador do vírus HIV.

No início de 2017, viu na TV uma reportagem sobre um tratamento de prevenção à Aids inédito no Brasil. Procurou uma unidade de saúde e dois dias depois já tomava a primeira dose da PrEP, que seria o tratamento de profilaxia pré-exposição ao vírus HIV (cujo nome comercial do disponível no Brasil é Truvada).

O remédio, que já era usado em países como França e Estados Unidos, começou a ser distribuído gratuitamente pelo SUS no Brasil em 2017. Podem receber a droga pessoas de grupos vulneráveis, como as trabalhadoras do sexo.

Porto Alegre foi a primeira cidade a ter um paciente aderindo ao tratamento. No último balanço do ministério, o remédio estava disponível em 11 unidades da federação (AM, CE, PE, BA, DF, MG, RJ, SP, PR, SC e RS) e 1.800 pessoas estavam em tratamento.

SUBSTÂNCIAS

A pílula é uma combinação das substâncias tenofovir e entricitabina, e reduz em até 90% o risco de infecção pelo HIV. Ela tem de ser tomada diariamente, e o efeito de proteção só começa após o sétimo dia de uso para relações envolvendo sexo anal e de 20 dias para o vaginal.

Ela, no entanto, não substitui a camisinha, já que não protege contra a gravidez indesejada nem contra outras doenças sexualmente transmissíveis. A possibilidade de que a pílula funcione como um estímulo ao sexo desprotegido é uma das principais polêmicas em torno da PrEP.

Mas de acordo com a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, os estudos mostram o contrário. A oferta do tratamento acaba levando muitas pessoas que fazem sexo desprotegido até os postos de saúde, onde recebem orientação. “Quando o aconselhamento é feito de maneira adequada pelos profissionais de saúde [a PrEP] aumenta o uso do preservativo”, diz. “Porque muitas vezes as pessoas que vão procurar a PrEP estão tendo sexo desprotegido e estão se sentido em risco”.

Clarissa, por exemplo, admite que às vezes o casal se descuida no uso da camisinha, e que a medicação funciona como uma garantia extra de proteção.

“Não basta disponibilizar o preservativo, a medicação, seja o que for. Não basta disponibilizar os insumos, tu precisas de conversa, de discussão sobre essas questões”, diz a pedagoga Cláudia Penalvo, do grupo Somos, que atua na defesa dos direitos da comunidade LGBT em Porto Alegre e que trabalha com HIV desde os anos 1990.

MEDICAÇÃO DEVE SER ADICIONAL AO PRESERVATIVO

Só um laboratório está autorizado a comercializar a PrEP no Brasil. Segundo o ministério, um conjunto de 30 comprimidos (que cobrem o tratamento durante um mês) custa U$$ 22,50 ao SUS. Outros dois laboratórios já pediram registro à Anvisa, o que deve reduzir o custo.

A estimativa do Ministério da Saúde é de que até o fim do ano entre 7.000 e 9.000 pessoas estejam usando a medicação. Para isso, foi calculado um orçamento de R$ 8 milhões. Mas o Ministério afirma que o valor poderá ser revisto se a procura superar a expectativa.

Nem todos os que pertencem aos grupos vulneráveis, porém, têm indicação para a PrEP – a prescrição depende de aspectos comportamentais. Um homem homossexual que tem uma relação estável com o parceiro em que ambos são soronegativos e usam camisinha, por exemplo, não é elegível.

Para o infectologista do Hospital Emília Ribas, Jean Gorinchteyn, a PrEP é bem-vinda, desde que seja encarada como uma prevenção adicional ao preservativo. Outra preocupação é quanto à adesão ao medicamento, que precisa ser tomado todos os dias.

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